e se derramavam para fora de minha boca sem que eu conseguisse evitar. tombavam para fora da minha mandíbula, pulando antes da língua como se pulassem de um trampolim, davam cambalhotas em pleno ar, mas o problema é que se enroscavam umas nas outras em pleno vôo, e isso foi fatal. elas iam caindo, formando novelos vivos de palavras kamikazes que se espatifavam contra o asfalto duro e quente. nenhuma escapou. eu me sentia o ex-mágico da Taberna Minhota, um personagem de Murilo Rubião, mas, no duro, no duro, o que eu me sentia era uma pessoa que de repente acorda e não sabe onde está, nem quem é, nem por quê. por isso não falo mais. tenho medo.

