a luz é insuportável, insustentável, abstrata de tão anticoncreta, de um brilho que faz você lembrar que tem uma cabeça, porque a dor de cabeça que começa a se formar atrás dos seus olhos (você também tem olhos, percebe meio entre o fascinado e o aterrorizado) é incrivelmente grande, grande como há muito tempo você não se lembrava, o que é uma coisa paradoxal, porque no instante em que você realmente não vê mais nada ao seu redor, e que percebe que a matéria é uma ilusão, o véu de maya finalmente caído e desintegrado em cinzas, revelando tudo o que é o nada, nesse instante é que você percebe realmente que possui um eu, um eu tão forte e tão renitente, tão resistente a qualquer coisa, a qualquer outro pensamento que no entanto permanece, permanece como a luz que nunca se apaga, mehr licht mehr licht, luz, quero luz, welcome my friends to the show that never ends, the light at the end of the world, a luz que é tudo mas que não é você, a luz de algum modo te engloba, te envolve, te invagina, te imagina, te abre como se você fosse uma tangerina, e cada faceta do seu eu vira um gomo que é aberto em forma de estrela, e de repente, quando você menos espera, você está do outro lado da luz,
na beira de um abismo que ao mesmo tempo é uma encruzilhada dividida em quatro (mas que você desconfia que existem mais se olhar com o canto do olho, por isso você nem tenta que você não é besta), você vê
você
você
você
você
na beira de um abismo que ao mesmo tempo é uma encruzilhada dividida em quatro (mas que você desconfia que existem mais se olhar com o canto do olho, por isso você nem tenta que você não é besta), você vê
você
você
você
você


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