holandês voador, judeu errante, some-se os dois e você some: erra, holandês, erra, que herrar é umano, herra e herda logo essa merda, mas segue em frente, toca a vida, pica a mula, isso se você considerar como mula uma espaçonave do tamando do universo, tão antiga, mas tão antiga que você ainda insiste, no fundo das configurações para sempre irremediavelmente congelada dos seus neurônios, em chamar de nave, quando o paradigma é outro, tão outro que não há quem possa, não há o que caiba nos sete buracos da tua cabeça, a sua presença é uma opresença de tão opressora, caminha, caminha, perovaz, que nessa nave, esfera, o caralho a quatro, aqui em se plantando tudo dá, inclusive idéias, que brotam de sua cabeça como deusas gregas da fronte de um overgod, um übergott, um deus fodástico que manda e desmanda, ou, para preservar uma metáfora de seu tempo, dessas que você não costuma nem chamar à memória com medo de que ela se perca entre a gaveta em que está guardada e a linha de frente de sua consciência, uma lâmpada que se acende na sua cabeça como nas histórias pictóricas que você lia algum dia quando pequeno (e houve algum dia na sua vida em que você não se considerou pequeno ante a imensidão do universo ao qual está agora totalmente integrado, mas incrustado do que craca em casco de navio, daqueles que singravam o mar no tempo em que ainda se sabia o que quer dizer singrar, hoje você só sabe o que quer dizer sangrar, e mesmo assim metaforicamente, porque você já morreu e não sabe.

