o tempo passa e com ele caminhamos todos juntos sem parar, nossos passos pelo chão não vão ficar porque os bots de manutenção deixam tudo inescrupulosamente limpo, brilhante, reluzente, a prata do aço brilha como um lâmina de seppuku de mishima ao sol ou como cera parquetina no piso de tacos da casa da minha avó, ai minha avó, saudades do talharim com carne assada aos domingos, gordura pura, não-híbrida, incorreta, entupidora de artérias, e no entanto acredite, nem o rhum creosotado precisou salvá-la, a velhinha morreu dormindo aos noventa e um, o primeiro minuto da prorrogação de uma partida de futebol quando ainda existiam esportes, não os ex-portes de hoje em que é tudo plug and play, e mesmo assim por força da expressão que é poderosa, pede cachimbo como se fosse domingo, pois ninguém precisa mais plugar nada em lugar algum, nem memo na cama, mas não quero falar sobre isso agora, aliás não quero mais falar. telepatizo-me wireless para mim mesmo, penso logo ex-isto. e continuo rabiscando mapas de site da minha alma, nesta nave, nesta esfera em que até o grafite ecoa, e só às paredes confesso.

