sim, eu tive um castelo um dia, i had a farm in africa, eu tive um castelo nos meus sonhos, eu fui o senhor de todo um reino que um dia acabou em pó ao pé dos fatos, e convenhamos, nada mais surreal que um fato assim jogado no meio da sua cara como um dândi que te bate no meio da cara duas vezes (porque a segunda é sempre mais humilhante) com a luva impecavelmente branca e te intima para um duelo, que é justo no dia em que você levou um chifre da namorada, a pedra no rim ataca novamente, você tirou zero na escola e ainda por cima foi atropelado por um ônibus na calçada - tudo coisas da minha imaginação, claro, como se essas palavras que acabei de escrever fizessem algum sentido, não reparem, é que um anjo torto chegou perto de mim e disse, vai, cara, ser gaúcho na vida, pelo menos foi assim que eu entendi, se pelo menos eu tivesse entendido guache poderia ter sido um pintor, e, como sempre, um pintor com tintas de chumbo na época das tintas não-tóxicas, para acabar morrendo justo na véspera de um bando de cientistas que mais tarde ganharia o Nobel anunciar a descoberta do soro da imortalidade. eu fui o senhor do castelo, ah, isso eu fui, mas de que adiantou quando os bárbaros chegaram dizendo tudo é lindo e maravilhoso e eu fiquei com a roupa do corpo, uma mão na frente outra atrás, o cu na mão peito nu cabelo ao vento? e quem nos salvará nessa hora? e quem me salvou?


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muito bom.